Toda equipe desenvolve formas próprias de trabalhar.
O problema começa quando essas formas existem apenas na cabeça do líder ou de uma pessoa experiente. Quando alguém sai, muda de função ou tira férias, o conhecimento desaparece e a equipe precisa começar novamente.
O Template Como Fazemos Aqui transforma uma prática informal em uma orientação simples, consultável e reproduzível. É a passagem da cultura oral para a cultura instalada.
Documente uma prática quando:
• ela funciona bem, mas poucas pessoas sabem como realizá-la;
• novos profissionais precisam aprendê-la por tentativa e erro;
• ela só acontece quando você lembra ou cobra;
• pessoas diferentes executam de formas diferentes;
• a falta de clareza gera retrabalho, atraso ou decisões inconsistentes.
Escolha uma prática importante e preencha os cinco campos.
O resultado deve caber em uma única página. Quando a explicação fica longa demais, provavelmente você está tentando documentar um processo inteiro. Nesse caso, divida-o em práticas menores.
Use um nome simples que qualquer pessoa consiga compreender.
Exemplos:
• Como damos feedback aqui
• Como priorizamos a semana
• Como registramos um erro
• Como levantamos obstáculos
Explique em uma frase o problema que a prática evita ou o resultado que ajuda a produzir.
Não descreva apenas o que é feito. Mostre por que essa forma de trabalhar precisa existir.
Descreva a prática em três a cinco etapas.
Use:
• frases curtas;
• verbos de ação;
• linguagem direta;
• uma orientação por etapa;
• no máximo duas linhas por passo.
Entregue o passo a passo a alguém que nunca realizou a prática.
Quando a pessoa trava ou precisa fazer perguntas, existe uma informação importante que ainda não foi documentada.
Registre uma situação real que mostre a prática funcionando.
Use este formato:
Contexto: o que estava acontecendo?
O que foi feito: como a prática foi aplicada?
Resultado: o que mudou depois da aplicação?
Evite exemplos genéricos. Um caso concreto ensina mais do que uma explicação abstrata.
Registre os papéis envolvidos e a responsabilidade de cada um.
Use:
Líder: responsabilidade específica.
Equipe: responsabilidade específica.
Pessoa responsável: responsabilidade específica.
Este campo evita situações como:
“Eu achei que você faria.”
“Não sabia que era minha responsabilidade.”
“Pensei que alguém já tivesse resolvido.”
Quando todos fazem exatamente a mesma coisa, este campo pode ser dispensado.
Defina duas formas de verificar se a prática foi incorporada.
O que você precisa observar nas pessoas ou na rotina?
Exemplo:
A equipe consegue aplicar a prática sem pedir orientação ao líder?
Que número mostrará que a prática está funcionando?
Exemplo:
Pelo menos duas pessoas aplicaram o passo a passo sem ajuda durante o mês.
O objetivo não é criar um sistema complexo de indicadores. É definir uma evidência que mostre se a prática saiu do papel.
Faça a pergunta:
Uma pessoa nova, depois de 30 dias na equipe, conseguiria encontrar e aplicar esta prática sem me perguntar como fazer?
Quando a resposta é sim, o conhecimento começou a deixar de depender de você.
Crie um espaço chamado:
Como Fazemos as Coisas Aqui
Ele pode estar no Google Drive, Google Docs, Notion, Confluence ou no ambiente já utilizado pela equipe.
Cada prática documentada se transforma em uma entrada desse acervo.
Não crie um novo repositório que ninguém consulta. Guarde a prática onde o trabalho realmente acontece.
Comece por uma atividade que funciona, mas ainda depende de quem sabe fazê-la.
Uma página clara é mais útil do que um manual extenso que ninguém consulta.
A versão digital ajuda você a:
• organizar os cinco campos;
• transformar ideias dispersas em um passo a passo claro;
• registrar papéis e responsabilidades;
• definir evidências de aplicação;
• consolidar a prática em um único resumo;
• receber o conteúdo estruturado por e-mail
Cultura não é apenas o que as pessoas acreditam.
É aquilo que elas conseguem continuar fazendo quando quem ensinou não está presente.
USE JUNTO COM
Use a F10 | Framework 3M para garantir que a prática tenha Momento, Mensagem e Memória.
Utilize a F17 | Protocolo 3 Sessões para transferir a prática a outra pessoa e desenvolver autonomia.
Posicione práticas recorrentes na F28 | Calendário Anual de Rituais REI.